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Histórico

A doação do terreno da Unidade Sede

Em 1º de agosto de 2005, o Prefeito de Santo André enviou à Câmara Municipal o projeto de Lei nº 22/2005 que dispunha sobre a doação de imóvel para a Fundação Universidade Federal do ABC, visando sua instalação e operação no município. A Câmara Municipal aprovou, em sessão de 8 de setembro de 2005, a autorização para o Executivo Municipal alienar, mediante doação, o imóvel à Universidade Federal do ABC pela Lei nº 8.768/2005, configurado por terreno de 76.951,86 metros quadrados, localizado à Avenida dos Estados, com diversas construções existentes que serviam à antiga Secretaria de Serviços e Obras da Prefeitura de Santo André.

Previamente à doação do terreno à UFABC, a Prefeitura de Santo André apresentou ao Ministério da Educação - MEC um estudo desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação - SDUH que apresentava a sua localização em relação à região e sua inserção no projeto municipal denominado “Eixo Tamanduatehy”. Esse projeto de requalificação urbana, em implantação na cidade desde o ano de 1997, tem como objetivo a reestruturação das áreas lindeiras à várzea do rio de mesmo nome, ao longo da Avenida dos Estados e da estrada de ferro Santos-Jundiaí, que sofrem o impacto do processo de desconcentração industrial, sendo que a doação do terreno se deu a fim de reforçar a proposta de revitalização da área.

Vista do terreno em 2006
Vista do terreno em 2006

Na defesa do terreno para a implantação da Unidade Sede da UFABC no município, conforme previsto na lei de criação da universidade federal, a Prefeitura de Santo André destacava as seguintes vantagens: localização privilegiada, ligação facilitada com rodovias, fácil acesso aos aeroportos, proximidade ao Parque Industrial do Polo Petroquímico de Capuava e das demais indústrias do parque automobilístico, disponibilidade de cabeamento de fibra ótica e demais infraestruturas, características do zoneamento, entre outras vantagens.

O Concurso para escolha do Projeto

O projeto arquitetônico e urbanístico do Campus Santo André foi elaborado pelo escritório Libeskindllovet Arquitetos SS Ltda, vencedor da Licitação Pública Nacional na modalidade Concurso de Projeto, em janeiro de 2006, promovido pelo MEC e organizado pela Direção Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB, tendo a Prefeitura de Santo André como entidade conveniada.

Imagens utilizadas pelo escritório Libeskindllovet Arquitetos, vencedor do concurso
Imagens utilizadas pelo escritório Libeskindllovet Arquitetos, vencedor do concurso

O Concurso teve por objetivo selecionar a proposta mais adequada para a implantação do Campus Sede da Universidade Federal do ABC, em terreno com área de 76.951,86 metros quadrados, doado pelo município à universidade, para atendimento da demanda da região com reduzida presença de instituições públicas de ensino superior.

Todas as diretrizes para a implantação do campus, do ponto de vista urbanístico, edilício, de saneamento ou ambiental foram previamente definidas pela Prefeitura de Santo André e pelo SEMASA, por meio de orientação formal que foi incluída nos documentos disponibilizados para a realização do concurso nacional de anteprojetos para o campus.

Para orientar o desenvolvimento dos projetos, o IAB elaborou regulamento integrante do edital que indicava a necessidade de obediência às diretrizes expedidas pela Prefeitura e demais órgãos públicos relacionados à aprovação dos projetos.

Através do Departamento de Controle Urbano - DCURB, que forneceu parâmetros urbanísticos e edilícios para a realização dos projetos e do Departamento de Engenharia de Tráfego (DET) que elaborou os estudos prévios para orientação à solução de problemas gerados no futuro em relação ao trânsito, transporte público, estacionamento e acesso ao campus.

O escritório Libeskindllovet Arquitetos, vencedor do concurso entre 50 inscritos, atendeu às diretrizes emitidas pela Prefeitura de Santo André (era condição eliminatória para o resultado) e, posteriormente, desenvolveu o Projeto Básico com fins de licitação das obras do campus.

Imagens utilizadas pelo escritório Libeskindllovet Arquitetos, vencedor do concurso
Imagens utilizadas pelo escritório Libeskindllovet Arquitetos, vencedor do concurso

O conjunto arquitetônico projetado, composto por seis edifícios principais e passarela de pedestres sobre a Avenida dos Estados, totalizou 101.533,70 metros quadrados de área construída. Em sua concepção original, o Campus Santo André contemplava dois Edifícios Acadêmicos - Blocos A e B, Centro Cultural - Bloco C, Restaurante Universitário - Bloco D, Centro Esportivo - Bloco E, Torre do Relógio / Mirante - Bloco F e Área Externa, composta pelas Praças do Sol e da Memória, pelo Parque do Relógio junto à Avenida dos Estados, além de espaços de convivência, estacionamento coberto sob a Praça do Sol (projetado em dois níveis), estacionamentos descobertos e edificações complementares (guaritas, abrigos de resíduos e gases especiais, entre outras).

A equipe técnica do arquiteto responsável pelo projeto, Cláudio Libeskind, defendeu em sua proposta que o campus da UFABC deveria contribuir para a criação de espaços abertos ao público, “deveria procurar uma relação mais íntima com a cidade, com espaços de convívio”: Nesta cidade, feita de sucessivas adições, de fragmentos, o projeto sobrepõe outros, criando com sua implantação uma determinada ordem e uma rica variedade de espaços públicos, como um grande complexo gerador de atividades promovendo o encontro da população.

Para a equipe vencedora do concurso, o projeto deveria ser implantado com o mínimo possível de interferências no terreno natural. Com este conceito, a implantação procurou, a partir de um eixo principal articulador dos diversos Blocos correspondentes a cada uma das demandas e, seguindo os platôs gerados pelas cotas existentes na Rua Abolição, no prédio do matadouro e na Avenida dos Estados, foram criadas três praças alternando espaços abertos e cobertos com áreas verdes e pavimentadas: Praça do Sol, Praça da Memória e Parque do Relógio.

A seguir, serão reproduzidos trechos do Memorial Justificativo da proposta vencedora do concurso, com a descrição dos acessos e partido adotado pelo escritório Libeskindllovet Arquitetos, que resultaram no Conjunto Arquitetônico do Campus Santo André, em sua concepção original:

O Campus e seus acessos

Acesso 1 - O novo eixo

Trata-se do acesso das pessoas que chegam do metrô de superfície (rede ferroviária), do terminal rodoviário, do terminal do trólebus e de carro ou ônibus pela Avenida dos Estados. Este eixo interliga o Bloco B, o Bloco A, o Centro Esportivo e o Centro Cultural, em diferentes níveis, dando unidade ao conjunto e articulando o projeto.

Acesso 2 - Rua Oratório

Esta nova entrada de pedestres, acessa diretamente o nível do prédio principal através de uma descida pelo terreno no meio das árvores que abraçam o antigo matadouro. São grandes passarelas recortadas que unem os Blocos, criando espaços interligados, mas ao mesmo tempo independentes.

Acesso 3 - Praça do Sol

Chegando ao campus, pela Rua Abolição, o pedestre se depara com um amplo espaço público, uma grande porta para a entrada do campus. Nesta grande laje, que abriga duas lajes de estacionamento, está o Centro Cultural, mais perto da cidade e em contato direto com a população. Trata se de uma praça seca, com uma grande pérgula em estrutura metálica e telhas de chapa perfurada, que evoca uma grande árvore filtrando a luz e uma linha sinuosa de bancos de madeira.

Acesso 4 - Parque do Relógio

Este parque faz parte da requalificação urbana desta área incluída no Projeto Eixo Tamanduatehy. A circulação se realiza através de um caminho em zigue-zague que interliga todo o parque arborizado com guapuruvus, paus -brasis e jequitibás-rosas, permitindo ao visitante encontrar-se com áreas de descanso, tornando o percurso mais agradável. O intuito deste acesso é interligar através de passarelas elevadas sobre a Avenida dos Estados, o Rio Tamanduateí e a estrada de ferro, a parte da cidade que hoje se encontra ilhada por estas barreiras. Esta transposição uniria o Parque do Relógio com o Parque Celso Daniel, criando uma continuidade paisagística e configurando ao mesmo tempo outro trecho do parque linear, conforme propõe o Projeto Eixo Tamanduateí.

O partido arquitetônico

Junto à Rua Abolição, configura-se uma praça de entrada, com dois andares de estacionamento aproveitando o desnível do terreno. Sobre essa grande laje, emerge o Bloco cultural num extremo e uma praça seca no outro. É uma caixa fechada com acesso aos cinemas no nível da Praça do Sol e ao teatro pelo nível inferior. A biblioteca também faz parte deste conjunto. Encontra-se abaixo da Praça do Sol, com acesso pelo nível das passarelas. Alguns domus na Praça do Sol iluminam o vazio central da biblioteca. Através de um grande vazio, numa área de vegetação existente, se realiza o acesso para as passarelas recortadas que unem os Blocos. Nela se encontra o prédio principal – Bloco A, corpo único, com um grande embasamento que abriga, a prefeitura num extremo, com acesso independente, os núcleos, os anfiteatros pequenos, a sala pró - aluno e algumas áreas de convívio no térreo. Uma rampa une este pavimento com os dois superiores pelo vazio central. Nestes pavimentos se encontram os anfiteatros com pé direito maior. Desta grande base, saem os três blocos correspondentes ao centro de engenharia, modelagem e ciências sociais aplicadas num extremo, o centro de ciências naturais e humanas no outro, e o centro de matemática, cognição e computação no meio. São três pavimentos com salas de aula menores, e cinco pavimentos com laboratórios. As salas do corpo docente foram colocadas no pavimento superior de cada um dos Blocos, visando aproveitar as melhores vistas. No último pavimento de cada uma das torres, se encontram as cantinas, lugar de encontro de alunos e professores com uma área para poder realizar eventos. O Bloco B destaca-se deste conjunto, invertendo o seu posicionamento, para a melhor insolação das suas fachadas. O acesso é através de uma passarela por cima do espelho de água. No térreo se encontram os laboratórios de materiais e mecânica. O primeiro andar abriga a secretaria e uma área para matemática. O segundo tem salas de aula. No terceiro, salas de trabalho, salas de aula e uma área para estudo. O quarto pavimento mistura salas de trabalho com salas individuais de docentes. No quinto, sétimo e nono andar salas individuais de docentes e no sexto, oitavo e décimo, salas individuais de docentes e salas de reunião. No último pavimento, o terraço coberto torna-se um grande salão de encontro com duas pequenas lanchonetes. Num dos extremos da passarela, encontra-se também a área destinada ao restaurante universitário. Preservando o prédio existente – antigo matadouro municipal cuja implantação data de 1919, o projeto pretende recuperar a estrutura, liberando-a e conservando as qualidades arquitetônicas essenciais e originais do prédio, acrescentando um toque de emoção e contemporaneidade. O espaço interno vai ser usado como refeitório colocando as cozinhas na parte posterior, ligadas ao estacionamento. Um metro abaixo da Praça da Memória encontra-se o Centro Esportivo. Sobre a laje de entrada estão dispostas as quadras poliesportivas e as duas piscinas, semiolímpica e de recreação, com um vazio no meio, de onde emerge uma grande árvore existente – seringueira, e as aberturas corridas para o ginásio coberto que se encontra no piso inferior, perto da avenida, em contato com o parque linear e com o parque do relógio. Uma torre de 99 metros funciona como mirante, relógio e caixa d’água, além de ser um marco para o campus. Com estrutura de concreto, vidro aramado e vidro transparente, ela torna-se à noite uma grande lanterna.

Ao longo da execução do projeto arquitetônico, alterações ocorreram em relação à concepção original para atender novas demandas não previstas inicialmente ou exigências técnicas, como a restrição imposta pelo IV Comando Aéreo Regional - COMAR, por interferência com o trânsito de helicópteros sobre o eixo do Rio Tamanduateí, obrigando a redução da altura da Torre do Relógio de 99 para 76 metros, ou a revisão quase que total na ocupação do Bloco B, que seria o primeiro Bloco a ser construído e iria abrigar a demanda inicial da UFABC.

As obras na Unidade Sede

Com o Projeto Básico concluído em maio de 2006, a UFABC promoveu processo licitatório que resultou na contratação da Construtora Augusto Velloso para a execução das obras completas de implantação do campus.

Vistas do terreno principal com o início das obras em 2006
Vistas do terreno principal com o início das obras em 2006

Em setembro de 2006, após a realização do primeiro vestibular, as atividades acadêmicas da universidade foram iniciadas na Unidade Atlântica, em Santo André, em edifício alugado pela universidade, e também em salas de aula e laboratórios instalados de forma provisória nas edificações existentes no terreno doado pelo município para a UFABC, anteriormente ocupado pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos do município. No mesmo período, foi iniciada a execução das fundações profundas dos edifícios destinados às atividades acadêmicas, os Blocos A e B.

Apesar da expectativa inicial, em 2011 o contrato da UFABC com a Construtora Augusto Velloso foi encerrado, tendo sido concluídos no período 2006-2011 os Edifícios Acadêmicos – Blocos A e B, o Restaurante Universitário - Bloco D, as fundações profundas do Bloco C e da Torre do Relógio – Bloco F e parte das obras da Área Externa do Campus Santo André. Esta situação demandou a execução de novos processos licitatórios para a contratação, em etapas diversas, dos edifícios e serviços remanescentes no Campus Santo André.

Vistas do Bloco A em 2010, em fase de conclusão
Vistas do Bloco A em 2010, em fase de conclusão

Em 2012, cerca de 60 mil metros quadrados (envolvendo salas de aula, laboratórios, salas de professores, áreas administrativas, além de restaurantes e espaços de convivência) estavam disponíveis para toda a comunidade universitária do campus de São André, o que representou um cenário bem diferente em relação ao cenário encontrado no final de 2006 quando do início das atividades acadêmicas em um campus provisório na cidade de Santo André (UFABC, PDI UFABC, 2013).

Contratações complementares foram realizadas a partir desta época para a continuidade das obras de implantação do Campus Santo André, notadamente para a execução do Bloco Cultural – Bloco C, Bloco Esportivo - Bloco E, Torre do Relógio / Mirante - Bloco F e complementação da infraestrutura na Área Externa (acessos, sistema de drenagem, reservatórios enterrados, pavimentação e paisagismo, principalmente).

Modificação e Ampliação das Instalações Físicas

Ao longo destes anos iniciais de existência da Universidade Federal do ABC, com as atividades principais desenvolvidas no Campus Santo André, diversos acontecimentos que serão relatados na sequência resultaram na necessidade de modificação parcial e ampliação das instalações físicas previstas originalmente para o Campus Santo André da UFABC.

Eliminação do Estacionamento sob a Praça do Sol e aquisição do “Terreno Anexo”

No desenvolvimento do Projeto, entre as etapas do Básico e Executivo concluiu-se pela não execução das obras de estacionamento sob a Praça do Sol, conforme projeto original, em função de sua dificuldade técnica: a construção projetada implicaria em grande movimento de terra e execução de contenções no alinhamento da divisa do terreno com a Rua Abolição, causando riscos à estabilidade da via pública e das construções vizinhas. Além disso, seria uma obra demorada e de alto custo.

No entanto, a eliminação desta edificação implicaria na redução da quantidade de vagas ofertadas no campus em 475 unidades, do total de 1.437 vagas projetadas, conforme estabelecido no Relatório de Impacto de Tráfego - RIT elaborado em 2006, de acordo com as diretrizes e parâmetros de projeto definidos à época da realização do Concurso Nacional para seleção de projeto para o campus sede da UFABC no município. (Obs. Este número de vagas necessárias foi reduzido para 1.234 quando da aprovação do segundo Estudo de Impacto de Vizinhança – EIV, em julho de 2014).

Em 2007, com a finalidade única e exclusiva de reposição de vagas, diante da hipótese de não se executar as obras do estacionamento sob a Praça do Sol, a UFABC vislumbrou a possibilidade de aquisição de terreno na Avenida dos Estados nº 4.650, localizado entre os lotes ocupados pelos Correios – AC Tamanduateí e pelo Motel Red Sky.

Após negociação com os proprietários, que não prosperou, deu-se início ao processo de desapropriação do terreno, que resultou em decreto federal emitido pelo Excelentíssimo Presidente da República em 24 de janeiro do ano de 2008, declarando o imóvel de interesse público. Em 22 de julho de 2009 foi emitida sentença de desapropriação, com mandado de emissão na posse para a UFABC, em 25 de setembro de 2009.

O novo terreno adquirido pela universidade, também na Avenida dos Estados, localizado no lado oposto ao “Terreno Principal”, foi incorporado ao território do Campus Santo André e denominado inicialmente “Terreno Anexo” e posteriormente “Unidade Tamanduatehy”.

Outras intervenções realizadas no Campus Santo André

Em complementação, outras intervenções de menor porte mostraram-se necessárias para a implementação do projeto pedagógico da instituição. Estas intervenções resultaram em alterações nas edificações e área externa do projeto original e foram implantadas ao longo destes anos iniciais da UFABC. A seguir, estão relacionadas as intervenções mencionadas:

(i) Eliminação do estacionamento coberto localizado no pavimento inferior do Bloco A, destinado a vagas para veículos de docentes, para instalação de laboratórios didáticos e de pesquisa no local e de áreas de apoio ao funcionamento da universidade;
(ii) Ocupação parcial das coberturas do Bloco A (torres 1, 2 e 3) e da cobertura do Bloco B para instalação de áreas administrativas e laboratórios de pesquisa;
(iii) Compartimentação de laboratório do Bloco B, com pé-direito triplo, para a instalação de dois novos pisos, destinados a laboratórios de pesquisa;
(iv) Ampliação da área da cozinha industrial e de refeitório existentes no Restaurante Universitário - Bloco D;
(v) Alteração da localização do abrigo de resíduos que atende ao Restaurante Universitário, da Rua Abolição para área interna ao campus universitário;
(vi) Construção de duas novas centrais de gases especiais, em substituição à prevista no projeto original.

Evolução do Programa de Necessidades

O projeto original do Campus Santo André foi concebido de acordo com o programa de
necessidades desenvolvido à época do Concurso Nacional, momento em que a universidade encontrava-se ainda em formação. O corpo de funcionários estava incompleto, pois naquela ocasião preparava-se a realização dos primeiros concursos voltados à contratação de docentes e técnicos administrativos. Tal situação impossibilitou a previsão das necessidades reais para subsidiar a completa definição e o correto dimensionamento das instalações físicas da Universidade, constituindo-se o projeto original, desta forma, em projeto arquitetônico suscetível a revisões futuras.

No decorrer da execução das obras, após a contratação de número significativo de servidores docentes e de técnicos administrativos, do desenvolvimento e implementação de atividades de ensino, de extensão universitária e de serviços administrativos, além do avanço das atividades de pesquisa, as necessidades reais por ampliação dos espaços físicos ficaram evidentes, momento no qual novas demandas foram colocadas pela comunidade universitária à direção da UFABC.

A reitoria, juntamente com a Coordenação da Obra do Campus Santo André (atual Superintendência de Obras - SPO), vislumbrou a possibilidade de expansão das instalações físicas da Universidade através de duas frentes, concomitantemente:

(i) No “Terreno Principal”, onde o projeto original encontrava-se em implantação: promoção de maior adensamento através da construção de um novo edifício de laboratórios de pesquisa, denominado “Bloco L”, no local onde foi projetado originalmente estacionamento de veículos sob a Praça do Sol.
(ii) No “Terreno Anexo”, adquirido pela universidade, em princípio, com a finalidade de reposição das vagas subtraídas pela eliminação do estacionamento sob a Praça do Sol: utilização do terreno também para a construção de novo edifício, denominado na época de “Bloco Anexo”.
Este edifício será destinado à implantação de laboratórios didáticos das Engenharias, especialmente, além de incorporar almoxarifados e novas áreas administrativas para acomodação dos dirigentes e servidores da universidade lotados na época no edifício à Rua Catequese, alugado pela UFABC desde o início de suas atividades na cidade de Santo André.

Revisão do projeto da Passarela de Pedestres sobre a Avenida dos Estados - Interligação da Unidade Sede e Unidade Tamanduatehy

A concepção original do Campus Santo André contemplava uma passarela para travessia de pedestres sobre a Avenida dos Estados e Rio Tamanduateí. De acordo com o projeto, a passarela seria implantada entre a Unidade Sede e o lote da empresa Rhodia, localizado no sentido oposto da Avenida dos Estados. No entanto, as tratativas com a empresa não prosperaram, inviabilizando a concepção original proposta pelo Escritório Libeskindllovet.

Com a aquisição do Terreno Anexo, a implantação da passarela foi revisada, com proposição de novo traçado: a travessia sobre a Avenida dos Estados se dará entre os lotes da UFABC, viabilizando tanto a interligação dos edifícios do Campus Santo André quanto à circulação de pedestres - usuários do campus, moradores do entorno da UFABC e demais munícipes.

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Estudo Preliminar: corte esquemático mostrando a futura ciclopassarela interligando as duas Unidades do Campus Santo André

Posteriormente, novas alterações foram necessárias em função de restrições técnicas. A primeira é quanto à exigência de aumento do gabarito da Passarela, que passou de 5,50 para 6,00 metros, devido à mudança da categoria viária da Avenida dos Estados para via metropolitana, após a inauguração do Rodoanel Mário Covas. Além disso, devido à instabilidade dos taludes às margens do rio Tamanduateí, exigindo a execução de obras de contenção, e restringindo a possibilidade de construção de apoios intermediários.

Outra motivação para a revisão do projeto foi quanto ao redimensionamento da largura da passarela também para comportar ciclofaixa para ciclistas, incorporando o conceito de ciclopassarela, a qual deverá integrar-se com o sistema viário público da cidade. O redimensionamento da largura poderá atender também a uma eventual e desejada expansão do Campus Santo André, cujas áreas com possibilidade de aquisições encontram-se do outro lado da Avenida dos Estados.

O novo edifício Bloco L – Edifício de Laboratórios

O relatório final do Grupo de Trabalho “GT - Bloco L”, formado por dirigentes e servidores da universidade com o objetivo de definir o programa de necessidades do novo edifício a ser construído no Campus Santo André, o Bloco L deveria comportar 72 novos laboratórios de pesquisa além de espaços de apoio ao funcionamento do edifício.

Com a elaboração do projeto e execução do edifício, foi possível a alocação de 82 laboratórios de pesquisa, além de áreas administrativas para acomodar a Pró-Reitoria de Pesquisa – PROPES e Agência de Inovações, biblioteca setorial, data-center acadêmico, data-center científico, entre outras áreas.

Vistas do Bloco L durante a fase de obras
Vistas do Bloco L durante a fase de obras

O partido arquitetônico adotado pelo escritório Faccio Arquitetura para o projeto resultou em dois prismas retangulares (“braços” do edifício), onde estão localizados os laboratórios, biblioteca e os data-centers. Estes dois volumes principais são interligados por bloco central destinado a espaços de acesso e circulação (elevadores e escadas de emergência) e apoio ao funcionamento do edifício (sanitários, copas, depósitos, salas e prumadas técnicas), além de pavimento inferior com pé-direito duplo.

O Terreno Anexo – Unidade Tamanduatehy

Conforme conteúdo do relatório final do Grupo de Trabalho “GT - Bloco Anexo”, formado por dirigentes e servidores da universidade com o objetivo de definir o programa de necessidades do novo edifício a ser construído no Terreno Anexo do Campus Santo André, o Bloco Anexo irá comportar 33 laboratórios didáticos das Engenharias, oficina mecânica, salas de aula, auditórios, salas de docentes, áreas administrativas e almoxarifados, além de áreas técnicas de apoio ao funcionamento do edifício, com área total estimada em 36 mil metros quadrados.

De acordo com o projeto básico elaborado por escritório contratado pela universidade, o partido adotado resultou na proposição de três edifícios, Blocos H, I e J, interligados por uma laje, através da qual ocorrem os acessos aos Blocos e também a interligação da Unidade Tamanduatehy com a ciclopassarela de pedestres que liga os dois terrenos que configuram o Campus Santo André da UFABC.

O projeto básico inicial foi readequado pela equipe da Superintendência de Obras e pela equipe de arquitetos e consultores da Gerenciadora TÜV Rheinland, resultando em projeto com concepção semelhante, mas com definições que atendiam de forma mais precisa as demandas da UFABC.

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Bloco I é destinado em sua maior parte a laboratórios didáticos, além de salas de aula, auditórios, lanchonete e restaurante. O Bloco J atende às necessidades da universidade quanto a espaços administrativos, além de salas de docentes, refeitório para funcionários e salão de atos e eventos. O Bloco H abriga os almoxarifados da Prefeitura Universitária (PU) e do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI). O pavimento inferior interliga o Bloco I ao J e está destinado a laboratórios didáticos com demandas específicas (necessidade de pé-direito duplo e de apoio de equipamentos pesados diretamente sobre terreno natural), entre outras. Nas áreas externas, destaca-se o bicicletário, a praça e área de convívio e um estacionamento com 400 vagas de veículos.

Destaca-se ainda na Unidade Tamanduatehy os aspectos ligados à sustentabilidade, como telhados verdes; a pré-disposição para o sistema de cogeração, com aproveitamento do calor proveniente da geração de energia com utilização do gás natural, para o acionamento do sistema de ar-condicionado; e a concepção das instalações hidráulicas, onde há coletas separadas de águas de chuva, e coletas segregadas de esgoto (águas cinza, negra, cozinha, laboratórios), visando tratamentos diferenciados e reaproveitamentos.

Considerações Finais

O Campus Santo André, segundo sua concepção definitiva, resulta em área total construída de aproximadamente 150 mil metros quadrados, distribuídas entre as edificações da Unidade Sede, que já possui cerca de 114 mil metros quadrados executados, e as edificações da Unidade Tamanduatehy, com área aproximada de 36 mil metros quadrados, e que se encontra em obras. 


Mapa do Campus

Mapa do Campus Santo André

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