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Invenções do futuro exigem mais do que talento

Publicado: Segunda, 02 de Junho de 2008, 12h30

Artigo do professor Luiz Bevilacqua, reitor da UFABC, publicado noDiário do Grande ABC em 17 de fevereiro. O texto aborda a importânciado conhecimento e da formação qualificada para as descobertascientíficas do futuro.

Santos Dumont foi um homem criativo e obstinado, como é da natureza detodos os inventores. Até a metade do século XX, a maioria delesdispensava a educação formal. A intuição, aliada ao autodidatismo e àbenéfica teimosia de não desistir diante das dificuldades eramsuficientes para gerar grandes descobertas. O inventor assemelha-se aum artista, a quem a observação do mundo e o talento inato bastam paralevar adiante grandes obras.

Contudo, outros brasileiros com esse espírito passaram despercebidospor falta de apoio e oportunidade. Qual a razão do sucesso ou fracassode uma invenção e de seu criador? Destaco duas: inventar custa caro,pois depende de experiências e protótipos, às vezes mal sucedidos.Outro fator é o apoio que o inventor obtém em seu meio e sociedade.

Uma ação positiva seria um maior incentivo à pesquisa por parte dosórgãos governamentais de fomento e do setor industrial. Santos Dumont,por exemplo, deve ter ouvido que, antes de mais nada, deveria sepreocupar com a produção de café, pois máquinas voadoras não eramprioridades econômicas brasileiras. Porém, como teve a sorte de nascerem família rica, foi realizar seus sonhos nos jardins parisienses.

Nossa cultura ainda guarda resquícios de subserviência, falta deauto-estima e de autoconfiança. Por que não crer que os brasileirospodem liderar a produção de conhecimento? Por que não pode sair daquium prêmio Nobel? Por que nos situamos no mundo globalizado comoperdedores? No Brasil nascem gênios e inventores como em qualquer outranação. Só que, hoje, precisam de educação formal e estão nasUniversidades ou nos laboratórios industriais, mas não sem antes terempassado por um intenso treinamento de investigação e um banho deciência.

A UFABC tem essa missão de avançar o conhecimento eformar pessoal qualificado para as invenções do futuro. Ciência etecnologia caminham a largos passos: é preciso estar adiante do nossotempo para entrarmos na roda do progresso. Estamos conscientes dosobstáculos, mas temos certeza de que a presença da UFABC traráprogresso para a Região.

Devemos nos orgulhar de serbrasileiros: somos tão capazes quanto qualquer outro povo do mundo.Convido a comunidade local a construir conosco um grande futuro para oGrande ABC, moldado segundo proclamou o presidente Lula no discurso deposse no Congresso: Mais do que a qualificação para o mundo dotrabalho, a educação é um instrumento de libertação, que o acesso àcultura propicia. (...) Um país cresce quando é capaz de absorverconhecimentos. Mas se torna forte quando é capaz de produzirconhecimento".

Luiz Bevilacqua
Reitor da Universidade Federal do ABC

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