Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Divulgação Científica > Destaques > Modo de interação com luz solar pode afetar percepção humana das cores
Início do conteúdo da página

Modo de interação com luz solar pode afetar percepção humana das cores

Pesquisa em neurociência da professora da UFABC Claudia Feitosa-Santana mostra que a vivência com a luz do sol, na infância — especialmente no primeiro ano de idade — ou por longos períodos na vida adulta, exerceria influência sobre preferências e percepção humana relacionadas com as cores. Dados do estudo indicam que viver em um ambiente com muita ou pouca luminosidade natural, de algum modo, pode modificar a forma como percebemos o mundo e, particularmente, como lidamos com as cores. Segundo a neurocientista, isso explicaria porque diante de uma mesma imagem pessoas vêem cores diferentes.

Esse fenômeno chamou a atenção no início de 2015, quando a foto de um vestido espalhou uma controvérsia pela internet, já que enquanto alguns identificavam a roupa como azul e preta, outros a viam branca e dourada. Na pesquisa coordenada por Claudia, jovens universitários com média de 22 anos nomearam as cores do vestido projetado em uma tela e, em outro teste, misturaram as cores verde, vermelho, azul e amarelo num computador até chegarem aos tons que viam no traje. Em etapa complementar do experimento, os voluntários voltavam a mesclar as cores até alcançar o que considerassem ser o branco mais puro possível, dentre vários testes como, por exemplo, o de preferência de cores.

Os dados mostraram que ao determinar o branco mais puro, o grupo que via o vestido branco e dourado acrescentou mais azul do que aquele do azul e preto. A diversidade de percepção entre os grupos estava parcialmente vinculada ao “cone S”, que é o receptor responsável pelo processamento de ondas curtas de luz (faixa do azul) na retina. Segundo a professora, outro resultado interessante foi a associação entre ver o vestido branco e dourado com a maior preferência por azul claro.

Claudia afirma que foi possível verificar que todos os resultados se relacionavam com a percepção do azul, o que levou à hipótese de que diferentes experiências de exposição ao sol na infância ou ao longo da vida afetam a percepção das cores. “O cérebro das pessoas que crescem ou vivem em regiões mais frias, onde a luz é mais azulada, pode dar um desconto e elas tendem a ver o vestido como branco e dourado. Por outro lado, quem nasce em localidades com luz mais amarelada, regiões quentes, geralmente enxerga como azul e preto” — explica a cientista.

Mais informações em vídeo no canal da UFABC no Youtube.

Assessoria de Comunicação e Imprensa

 

Registrado em: Destaques
Fim do conteúdo da página