Empresas e instituições de pesquisa atuam em parceria para desenvolvimento de microrreator nuclear
Para pesquisa e desenvolvimento, o investimento total alcançará R$ 50 milhões, dos quais R$ 30 milhões têm origem no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A fonte dos outros R$ 20 milhões será como contrapartida de três empresas – Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Terminus P&D e Diamante Geração de Energia.
A aprovação do financiamento ocorreu em 2025 e o projeto deve se estender por três anos. Os trabalhos se dividem em diversas frentes com a participação do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), ambos vinculados à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A Marinha do Brasil participa por meio da Diretoria de Desenvolvimento Nuclear da Marinha (DDNM) e da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (AMAZUL).
Completam o grupo de instituições científicas integradas ao trabalho o Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL) e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Além da UFABC, as outras universidades que participam das pesquisas são: Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O desenvolvimento foca em soluções de 'energia de base', integrando microrredes com fontes renováveis (solar e eólica), ou operação autônoma no suprimento de localidades isoladas. O projeto visa consolidar a capacitação nacional para a futura fabricação de microrreatores nucleares de 5 megawatts elétricos (MWe), projetados com dimensões equivalentes a um contêiner de cerca de 12 metros. Essa arquitetura permite o transporte ágil da fábrica ao sítio de operação, com suporte a monitoramento remoto e vida útil de combustível superior a 10 anos.
Aplicação diversa
O sistema se destaca pela alta versatilidade ao oferecer potência capaz de atender desde operações além de limites costeiros (offshore) e indústrias isoladas até a situações que envolvem mobilidade elétrica. A associação de uma a quatro dessas unidades poderia suprir a demanda de quase 70% dos municípios brasileiros de forma descentralizada — o que representa em torno de 30 milhões de pessoas.
A proposta fundamenta-se em conceitos consolidados de engenharia nuclear que utilizam heat pipes (tubos de calor) para a condução passiva da energia térmica gerada no núcleo. Essa tecnologia simplifica o projeto do reator e amplia a segurança intrínseca, viabilizando a operação autônoma em localidades remotas ou com escassez hídrica, o que neste último caso, implica a inviabilidade do resfriamento dos sistemas convencionais. O desenvolvimento considera soluções 100% nacionais, estrategicamente alinhadas às características geográficas e ao arcabouço regulatório do país, capitalizando a experiência acumulada pelo setor nuclear brasileiro.
Ramos de Pesquisa e Equipe
O papel da UFABC se concentra na parte de engenharia teórica, abrangendo desde cálculos neutrônicos e térmicos até simulações de transferência de calor, sustentabilidade e integração elétrica, além do desenvolvimento de blindagem e materiais avançados. A Universidade também provê suporte técnico em modelagem e parâmetros teóricos para a implementação da Unidade Crítica no IEN/CNEN, no Rio de Janeiro.
Nos próximos meses, os pesquisadores se concentrão em estudos de engenharia e no desenvolvimento de materiais cerâmicos e metálicos, unindo especialistas em Energia, Física Aplicada, Materiais e Regulação. Essa frente multidisciplinar envolve também grupos de Modelagem Matemática e Políticas Públicas, mobilizando uma equipe de 12 docentes, 2 pesquisadores colaboradores e 11 bolsistas técnicos e de iniciação científica.
Integram a pesquisa na UFABC os professores: Alfredo Lordelo, Celso Kurashima, Daniel Florio, Edmarcio Belati, Guiou Kobayashi, Heloise Fazzolari, João Moreira, Mohamad Masoumi, Patricia Asano, Pedro Henrique Rodrigues, Pedro Carlos Rossi e Ricardo Caneloi. O grupo conta também com os pesquisadores colaboradores Duvan Gonzalez e Luis Geraldo Silva.
Perspectivas e Desafios
Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) revelam que, embora dezenas de projetos de microrreatores nucleares estejam em fase de desenvolvimento ou licenciamento, ainda não existe globalmente um mercado comercial consolidado para operação desses dispositivos. No contexto brasileiro, a iniciativa visa diversificar a matriz elétrica, fortalecer a soberania tecnológica e expandir a oferta de energia limpa em regiões isoladas. De acordo com informações divulgadas sobre conceitos que envolvem o projeto, a pesquisa possibilita a validação de tecnologias nucleares estratégicas e fomenta o conhecimento nacional necessário para viabilizar a futura produção e o licenciamento desse modelo de geração de energia no país.
Assessoria de Comunicação e Imprensa - Universidade Federal do ABC (ACI UFABC)
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