Aula Magna de ex-reitor marca início do segundo quadrimestre

O professor Adalberto Fazzio, reitor da universidade de 2008 a 2010, conduziu a aula inaugural para os ingressantes na graduação em 2026. Com o tema “A Geopolítica das terras raras: a soberania nacional” a aula magna aconteceu em 18 de junho no Campus Santo André. Atualmente, ele segue como professor titular de física da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da Ilum Escola de Ciência.
A reitora Paula Homem de Mello introduziu o palestrante e ressaltou a “presença ativa” do professor na instituição. “Ajudou bastante na construção da UFABC, especialmente na criação do nosso programa de pós-graduação em nanociência e nanotecnologia”, relembrou. A dirigente também apontou que a data escolhida para o evento é a mesma de celebração do Dia do Químico e da Química, o que coincide com a seleção do tema.
Fazzio iniciou a apresentação observando a abrangência interdisciplinar do assunto, que envolve áreas como física, geologia e economia. “Qualquer tema hoje você pode usar a interdisciplinaridade, ela está nas principais questões”, afirmou.

Ele apresentou uma explicação geral sobre as terras raras, que “não são raras e não são terras”. Trata-se de elementos químicos encontrados em determinados minerais e que recebem esse nome por conta da complexidade na extração de cada um. “Cada mineral é de uma maneira, cada região tem uma concentração diferente. A forma de fazer isso não existe em uma receita”, declarou.
O palestrante também falou sobre o que caracteriza um mineral, o processo de descoberta dos elementos, onde eles se encontram na tabela periódica e quais são as etapas para extraí-los. O ex-reitor deu exemplos de produtos que precisam de terras raras para serem fabricados, como eletrônicos, carros, equipamentos militares e dispositivos semicondutores.
Atuação do Brasil
Fazzio traçou um panorama de fatos históricos, a partir da invasão japonesa em 1937, que contribuíram para que a China se tornasse a maior potência mundial de terras raras. Ele citou relações políticas e econômicas com os Estados Unidos, Inglaterra e Taiwan e explicou como isso evoluiu até os dias atuais. “Hoje, a China detém 70% da extração e 95% do refino.”
O professor disse que o Brasil, apesar de possuir entre 20 e 24% das terras raras do planeta, é responsável por apenas 1% da produção mundial desses insumos, ressaltando a importância desse ramo para a soberania nacional. “Eu acho que o Brasil tem que usar a disponibilidade desses elementos químicos para manter independência. Ou seja, criar condições para que pesquisadores, químicos, geólogos e etc sejam capazes de separar, refinar e obter esses recursos”, afirmou.
Fazzio mencionou a valorização dos especialistas de Taiwan como um exemplo a ser seguido e disse que é preciso pensar em missões e projetos a longo prazo, que se mantenham e não sejam prejudicados por mudanças de governantes. “As coisas têm que ser feitas com compromisso de estado, não de governo.”
Ao final da aula, ele respondeu perguntas dos participantes que abordaram assuntos como impactos ambientais, reciclagem de terras raras e a necessidade do desenvolvimento de mais pesquisas sobre o tema. “Se a gente não definir missões, pode haver a ideia brilhante que for, nada vai acontecer. Então essa é uma coisa que a gente tem que olhar para o futuro.”
Superintendência de Comunicação Social - SCS- UFABC





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