Carreira de quem escolheu a UFABC para escrever a própria história mistura identificação, apreço e conhecimento

Os 20 anos de funcionamento da UFABC foram suficientes não só para a consolidação de edificações. Foi tempo também para a construção de trajetórias de vida de quem decidiu entrar na Universidade como aluno e permanecer como servidor.
A professora Heloise Assis Fazzolari cresceu no ABC e conta que sua família sempre acompanhou o cenário político, inclusive com interesse especial sobre a intenção do então presidente Lula em primeiro mandato de construir uma universidade federal na região. Com a confirmação do primeiro vestibular em 2006, ela decidiu dar sequência a sua formação em Tecnologia em Mecatrônica Industrial na Faculdade de Tecnologia Termomecânica com o Bacharelado em Ciência e Tecnologia (BC&T).
Heloise foi uma dos 500 ingressantes de setembro de 2006 que ocuparam as salas da Avenida Atlântica em Santo André para inaugurar a UFABC. “No início, ficamos todos um pouco perdidos, tentando entender a dinâmica da instituição e um projeto totalmente novo e diferente de tudo o que estava proposto nas universidades tradicionais.” Segundo ela, a recepção entusiasmada e o engajamento por parte de docentes e técnicos administrativos para realizar o projeto da UFABC a deixaram segura e esperançosa de um bom futuro.
De sua trajetória como caloura, Heloise destaca o contato imediato com o corpo docente como uma experiência marcante. “Eu nunca tinha interagido com nenhum doutor e a idea de chegar a esse título era algo inatingível para mim” – revela. Ela conta que a convivência com docentes a deixou encantada com o ambiente científico e começou a pensar na possibilidade de também seguir carreira acadêmica. Depois de uma conversa com o professor Eudes Eterno Fileti sobre o desempenho dela nas avaliações, se convenceu a seguir carreira científica. “Deixei o emprego e assumi uma monitoria, até iniciar meu projeto de Iniciação Científica e começar a minha jornada na vida acadêmica.”
Dois anos depois de Heloise, foi a vez do técnico administrativo Lucas Ribeiro Torin começar a trajetória como aluno no prédio da Avenida Atlântica no BC&T. Ele diz que a UFABC se destacou dentre as opções por oferecer cursos noturnos, o que considerava incomum em instituições públicas na época. “Entrei na graduação ao mesmo tempo em que comecei minha trajetória profissional como estagiário em uma empresa fabricante de produtos eletrônicos em Santo André” – explica.
Lucas acrescenta que a possibilidade de amadurecer a decisão sobre a escolha da carreira ao longo da formação também foi um fator positivo, pois ainda não tinha certeza de qual área da engenharia seguiria. Ele revela que mesmo trabalhando como estagiário, tinha dúvida sobre sua capacidade financeira para permanecer no curso. “Depois de uma conversa com Deonete Rodrigues da Pró-Reitoria de Graduação sobre a possibilidade de contar com uma Bolsa Auxílio, participei de um edital de concessão e fui contemplado com o benefício, o que me permitiu continuar no curso e na UFABC.”
Lucas explica que no primeiro ano de UFABC, se sentiu adaptado e motivado a seguir na jornada, mas ressalva que lidar com três períodos letivos tornava a rotina acadêmica bastante exigente. Ele recorda que o primeiro quadrimestre começava com disciplinas como Funções de Uma Variável, pois, naquele período, a estrutura do curso não dispunha de matérias de nivelamento como a de Bases Matemáticas. “Ao mesmo tempo, era preciso administrar o sistema de coeficientes, tornando o início uma experiência desafiadora.”
JZGODOY

Lucas considera que trabalhar e estudar no mesmo local ajuda na continuidade da formação acadêmica e foi útil no desenvolvimento da UFABC.
Trajeto interno
Lucas entrou em exercício como servidor da UFABC em 2009 como técnico em eletrônica. Ele considera que a proximidade intensa com o ambiente universitário ampliou o envolvimento dele com as atividades acadêmicas. “Eu adquiri experiência profissional como técnico em eletrônica, o que era um de meus objetivos, sem prejudicar os estudos e o contato mais próximo com professores e estudantes propiciava dedicação mais intensa aos estudos” – avalia.
Depois de se formar em Engenharia de Energia, em 2014, ele obteve nova aprovação em concurso para o cargo de tecnólogo em eletrotécnica industrial. Lucas atuou na Prefeitura Universitária e na Coordenação de Obras, onde chegou a superintendente. Para ele, o fato de trabalhar e estudar no mesmo local contribuiu com a continuidade de sua formação acadêmica, concluindo o Mestrado em Engenharia Elétrica e, atualmente, doutorando em Energia.
Na avaliação de Lucas, essa trajetória também foi útil diretamente com o desenvolvimento da UFABC. “Sempre atuei em áreas técnicas, o que me permitiu aplicar conhecimentos adquiridos na formação acadêmica, desde atividades que envolvem a manutenção da infraestrutura predial às de gestão de contratos” – explica. Ele lembra que também participou da primeira chamada pública de eficiência energética, que resultou na instalação da primeira usina fotovoltaica da UFABC.
Heloise conta que o trajeto na graduação ocorreu em meio a dificuldades de uma instituição que convivia com o avanço de obras, mas que a sua relação com a UFABC se fortaleceu ao longo do tempo. “Eu me apaixonou pelo projeto pedagógico, consegui excelente aproveitamento acadêmico e tive oportunidade de vivenciar o surgimento das representações estudantis” – recorda. Ela destaca ter protagonizado um momento “muito emocionante” ao representar em discurso os alunos do BC&T na solenidade comemorativa de cinco anos da Universidade.
Ida e volta
Depois de terminar o mestrado em Engenharia Mecânica, ela deixou a UFABC para dar andamento ao doutorado em Engenharia Elétrica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Fui com o sonho de retornar como docente”. Nessa nova etapa, ela diz que percebeu dispor de características diferentes dos colegas oriundos de instituições tradicionais. Segundo Heloise, era algo que já havia experimentado durante estágio na graduação, quando identificou diferenciais da formação na UFABC que lhe propiciavam vantagens no ambiente de trabalho. “Via-me como uma profissional mais criativa, capaz de se adaptar a mudanças e adversidades de forma rápida e de resolver problemas com coragem.”
Para ela, essas virtudes foram colocadas à prova quando retornou à UFABC como professora adjunta na área de Engenharia Aeroespacial em 2019. Heloise diz que se deparou com uma instituição maior, mais complexa, com mais problemas e mais soluções. “Foi diferente, assustador e com tudo mudando com a pandemia no ano seguinte” – conta. “Conclui que a formação integral no início da minha vida acadêmica me auxiliou para além dos aspects técnicos, mostrando que a proposta de receber uma formação voltada para ‘Aprender a aprender’ foi cumprida.”
Heloise acredita que trajetórias como a dela – de aluna para docente –, podem indicar sucesso tanto para estudantes, quanto para a universidade. “Entendo como opção natural os egressos quererem continuar na instituição, mas vejo também nisso uma alternativa muito rica para a UFABC.” Segundo ela, são pessoas formadas dentro do modelo interdisciplinar e, como docentes, têm uma compreensão mais intuitiva do projeto acadêmico, o que fortalece o propósito e a missão institucional da UFABC.
Algo mais
A professora e ex-aluna afirma que sua relação com a UFABC vai além da institucional, influenciando aspectos da vida pessoal. Heloise conta que a decisão de morar em Mauá e se estabelecer no ABC depois do casamento tem vínculo direto com a ideia de se tornar docente da Universidade.
A trajetória de Lucas também traz conexões que ultrapassam estudo e trabalho, pois “foi aqui também onde conheci minha esposa, Rondes Ferreira da Silva Torin, então doutoranda em Nanociências e Materiais Avançados”. Atualmente, a família conta com as filhas Verônica e Agatha, respectivamente com 10 e 7 anos, que cresceram acompanhando a história desse vínculo especial, que segundo ele, em futuro próximo, pode se ampliar com as duas meninas se tornando alunas da UFABC.
Assessoria de Comunicação e Imprensa - Universidade Federal do ABC (ACI UFABC)
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