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Brasil: uma potência mundial em orquídeas

Publicado: Quarta, 03 de Junho de 2026, 16h30

Revisão científica, liderada por pesquisador da UFABC, mostra como o país tornou-se um centro global dessas espécies


As orquídeas estão entre os grupos de plantas mais fascinantes do planeta. Com cerca de 30 mil espécies conhecidas, ocorrem em praticamente todos os continentes e apresentam uma variedade impressionante de formas, cores, tamanhos e estratégias de sobrevivência. O Brasil ocupa uma posição de destaque nesse cenário, abrigando aproximadamente 2.500 espécies – e mais da metade é encontrada exclusivamente em território nacional.

Compreender como essa diversidade surgiu, como as espécies se relacionam evolutivamente e quais estão ameaçadas de extinção são algumas das questões que orientam as pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Sistemática Integrativa de Plantas (LASIP) da UFABC, sob a liderança do Prof. Dr. Edlley Max Pessoa, do Centro de Ciências Naturais e Humanas da UFABC. Por meio de ferramentas que combinam estudos morfológicos, análises moleculares, biogeografia e conservação, os pesquisadores buscam reconstruir a história evolutiva das orquídeas e produzir conhecimento que auxilie na preservação da biodiversidade brasileira.

“Nos últimos anos, nossos estudos contribuíram para a descrição de dezenas de espécies novas para a ciência, a revisão taxonômica de grupos complexos e a compreensão dos processos evolutivos responsáveis pela extraordinária diversidade de orquídeas na América do Sul. Também investigamos como eventos climáticos do passado, incluindo as oscilações climáticas do período Quaternário, influenciaram a distribuição atual dessas plantas. Uma das descobertas mais interessantes foi compreender que o Brasil não é apenas um país rico em espécies de orquídeas, mas também um importante centro de diversificação evolutiva. Outra linha de pesquisa busca responder uma pergunta aparentemente simples: quantas espécies de orquídeas existem no Brasil? Embora pareça uma questão básica, a resposta continua em construção. Mesmo após mais de quatro séculos de estudos botânicos, novas espécies continuam sendo descobertas regularmente. Em 2025, uma ampla síntese sobre as orquídeas brasileiras, publicada por nós em colaboração com dezenas de autores brasileiros, mostrou avanços significativos no conhecimento da família, mas também revelou lacunas importantes, especialmente em regiões pouco amostradas e em grupos taxonomicamente complexos”, explica o professor Edlley.

orquideas 

As expedições de campo frequentemente trazem surpresas. Em algumas ocasiões, espécies consideradas raras ou desaparecidas são reencontradas após décadas sem registros. Em outras, plantas coletadas em florestas, montanhas ou áreas remotas revelam-se desconhecidas para a ciência. O trabalho de pesquisa envolve longas jornadas em campo, coleta de material botânico, análises em herbários nacionais e internacionais e o uso de técnicas modernas de sequenciamento de DNA.

“Minha própria trajetória com as orquídeas começou de forma bastante simples. Durante o primeiro semestre da graduação em Ciências Biológicas, visitei uma exposição organizada pela Associação Orquidófila de Pernambuco. Fiquei impressionado pela diversidade de formas e pela complexidade dessas plantas. A curiosidade despertada naquele momento acabou se transformando em uma carreira dedicada ao estudo da evolução e da diversidade vegetal. Ao longo dos anos, as atividades de campo proporcionaram experiências marcantes. Entre elas, uma coleta em uma floresta alagada da Amazônia, quando recebi uma descarga elétrica de um poraquê enquanto procurava exemplares de orquídeas. Situações inesperadas como essa ilustram os desafios e as aventuras frequentemente associados à pesquisa de biodiversidade em ambientes naturais”, conta o professor. 

orquideas 1

“Hoje, após mais de uma década dedicada ao estudo das orquídeas, continuo motivado pela mesma curiosidade que surgiu naquela primeira exposição. Afinal, mesmo em um dos grupos de plantas mais estudados do mundo, ainda existem muitas espécies a serem descobertas e inúmeras histórias evolutivas esperando para ser contadas”, conclui.

O conhecimento científico produzido sobre as orquídeas vai muito além da simples descrição de espécies. Ele contribui para entender a história natural do Brasil, orientar estratégias de conservação e revelar como a biodiversidade se formou ao longo de milhões de anos. Em um dos países mais ricos em espécies do planeta, conhecer essa diversidade é um passo fundamental para garantir sua preservação para as futuras gerações. 

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Na mídia: 
 
Dos vasos das avós às florestas: estudo mostra como o Brasil virou um centro global de orquídeas
Revisão científica nacional explica como clima, geografia e história científica ajudaram o País a concentrar mais de 2.500 espécies em diferentes biomas. 
Fonte: Revista Superinteressante 

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Superintendência de Comunicação Social da UFABC 
Com informações e fotografias do Prof. Dr. Edlley Max Pessoa (CCNH/UFABC)

Registrado em: Destaques
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