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Alunos desenvolvem esterilizadores que inativam coronavírus em superfícies

Publicado: Terça, 11 de Agosto de 2020, 15h50

Dois grupos de estudantes da UFABC, coordenados pelo professor Antonio Alvaro Ranha Neves – pesquisador nas áreas de física, fotônica e materiais –, trabalham na montagem de dispositivos para descontaminação de objetos de uso comum e característicos da rede de serviços de saúde. Ambos os projetos usam lâmpadas que geram irradiação por ultravioleta-C (UVC) no processo de descontaminação. Um deles dedica-se especialmente ao tratamento de máscaras respiratórias N.95, indicadas pelo Ministério da Saúde para profissionais que atuam no atendimento de pacientes com a Covid-19.

Uso em utensílios

O dispositivo BURN (livre acrônimo para esterilizador inteligente de baixo custo, utilizando radiação no ultravioleta-C) foi uma das propostas aprovadas na UFABC, dentro da chamada para apoio a projetos e ações para enfrentamento da Covid-19 no início de maio. Os primeiros protótipos apresentam orçamento de R$ 350 cada e encontram-se em fase final de construção e testes . O processo para registro de direitos de autoria também está em andamento e permitirá a livre e gratuita difusão do conhecimento necessário à montagem do esterilizador, mediante a indicação de crédito aos autores do projeto.

Desenho em 3D que mostra os componentes básicos do dispositivo em caixa de isopor com legendas indicando o controle, revestimento em papel alumínio, lâmpada UVC e um par de tênis como objeto a ser esterilizado.

As próximas etapas incluem a elaboração dos tutoriais de montagem e informações sobre cuidados necessários ao uso da UVC. A divulgação pública dos primeiros manuais ocorrerá em outubro. Além da descontaminação de máscaras, o BURN poderá ser empregado na higienização individual de objetos de uso diário como: celulares, calçados, embalagens de alimento, chaves, dentre outros.

Armário de luz

O outro projeto envolve a montagem de um aparelho em formato de armário com potencial para tratar até cinco mil máscaras por dia. Sob responsabilidade do capítulo estudantil na UFABC da The Optical Society (OSA) – que fornece apoio financeiro ao trabalho por meio de fundação associada –, esse modelo utilizará componentes nacionais e seguirá protocolo de construção elaborado na universidade de Oxford na Inglaterra. O custo desse equipamento foi calculado em U$ 1.200, do qual a maior parte destina-se à instalação de 16 lâmpadas UVC.

Foto do dispositivo em que se vê as lâmpadas afixadas nos fundos e nas portas abertas. Mostra também uma série de máscaras dispostas em linhas e colunas de uma grade.

O câmara do projeto da OSA contém um "varal" para fixação das máscaras em posições que podem ser identificadas, permitindo a reutilização sempre pelo mesmo profissional da saúde. Os responsáveis pela concepção do equipamento na UFABC informaram que outras entidades estudantis da OSA realizaram testes biológicos em dispositivos similares e constataram a inexistência do coronavírus em máscaras e outros apetrechos irradiados como jalecos e aventais. Até o final de agosto, conforme acordo e política internacional da OSA para projetos financiados por essa sociedade internacional, o esterilizador em produção será cedido à instituição que necessite desse tipo de instrumento.

Luz germicida

Diversos estudos em todo mundo tem demonstrado a eficácia do uso da irradiação ultravioleta-C para descontaminação de superfícies e objetos. Os resultados obtidos indicam que a exposição a determinada faixa de onda desse raio provoca danos no material genético dos patógenos, tornando esses agentes inativos e incapazes de se replicar.

Os esterilizadores desenvolvidos nos projetos da UFABC alcançam as combinações técnicas de tempo e intensidade suficientes para inativar o novo coronavírus (SARS-CoV-2), além de outros agentes contaminantes de superfícies. No caso do BURN, um manual de usuário indicará o tempo ideal de exposição para cada tipo de objeto inserido na caixa de descontaminação. O "armário" da equipe da OSA funciona com exposição de cinco minutos ao UVC, o que, conforme padrões técnicos, provoca a letalidade de 99% da carga viral de máscaras.

Segundo os responsáveis pelos projetos, a tecnologia de esterilização por meio de ultravioleta já ocorre de formas diversas como na descontaminação de ambientes hospitalares e em sistemas para tratamento de água. A checagem do nível de esterilização seguirá testes padronizados internacionalmente.

Mais informações nas páginas dos projetos: BURN e OSA.

Confira também os vídeos de apresentação dos esterilizadores.

 

 

Assessoria de Comunicação e Imprensa

 

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