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Estudo desenvolve tecnologia para detecção da Covid-19 e grau de letalidade da doença

Publicado: Quinta, 10 de Dezembro de 2020, 14h33

A proposta tem o objetivo de criar um teste capaz de confirmar condições patológicas em amostras de saliva e predizer o potencial de fatalidade (chance de morte) da Covid-19 nos pacientes infectados. Esse novo método oferece complexidade de realização similar ao uso de um medidor de pressão convencional, com custo dez vezes inferior ao de testes laboratoriais comuns e tempo de resposta medido em segundos, ante a um prazo que pode chegar a 12 horas com exames tradicionais em setores de atendimento emergencial de saúde. O projeto integra o grupo de iniciativas desenvolvidas na UFABC para enfrentamento da atual pandemia e tem como coordenador o professor Herculano Martinho.

O resultado esperado é a produção de substratos (compostos químicos) nanoestruturados que funcionem como base para observação do sinal amplificado do movimento das vibrações moleculares das amostras. Os picos e vales de dimensões nanonoscópicas (mensuráveis em escala equivalente a um bilionésimo de metro) desta superfície, que contém ouro depositado, funcionam como um amplificador para a luz incidente. Ao se acomodar a saliva sobre essa superfície, moléculas específicas que a constituem, tal como o marcador de inflamação Hepcidina, depositadas nos vales terão o sinal amplificado centenas de milhares de vezes, permitindo a sua identificação por meio da execução do experimento.

Segundo o professor Herculano, o método em estudo utiliza esta tecnologia que trabalha com o fenômeno da reatividade de elementos de diversos materiais quando em interação com a luz (espectroscopia vibracional). A análise das variações da intensidade e frequência específicas geradas nesse efeito indicariam a ocorrência da Covid-19 e de seus respectivos graus de severidade.

Análise versátil

O pesquisador explica que o diagnóstico ocorre por equipamento dedicado comercial (espectrômetro Raman portátil), com custo em torno de US$ 2.000. "Esse equipamento envia resultados brutos da medição para análise de um pacote computacional, cujo desenvolvimento também está previsto em nosso projeto'' – acrescenta Herculano. O procedimento poderá ser realizado no pronto atendimento de unidades hospitalares, mesmo nas de baixa complexidade, e em veículos especiais como ambulâncias.

A pesquisa trabalha em três frentes para confirmar a viabilidade desse modelo de detecção: Se a saliva possui biomoléculas "preditoras" de fatalidade para COVID-19 (passíveis de detecção pelo equipamento), se o sinal delas pode ser amplificado no efeito vibracional e se isso ocorre em intensidade estatisticamente adequada para triagem de pacientes. Herculano conta que as respostas devem ser obtidas no prazo de 12 meses e que no atual estágio do projeto ocorre o desenvolvimento e caracterização dos substratos e coleta e padronização das amostras de saliva.

O pesquisador acrescenta que o estudo ocorre em parceria com o Hospital Emílio Ribas, Grupo de Biofotônica da Universidade de Exeter (Reino Unido) e tem a participação de 170 pacientes divididos nos grupos leve, moderado, grave e de controle. Ele lembra também que a fatalidade da Covid-19 está associada a um quadro clínico de hiperinflamação, característico de outras disfunções clínicas, o que sugere a viabilidade da aplicação da espctroscopia vibracional na análise da gravidade de diversas doenças. Dentre algumas possibilidades estariam situações de choque anafilático (reação alérgica grave), infecções virais em pacientes imunosuprimidos (idosos, por exemplo), de rejeição à transplantes, de tratamentos anti-câncer e de portadores de HIV.

Assista ao vídeo de apresentação do projeto

 

Assessoria de Comunicação e imprensa

 

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